Conheci a Vila da Light aqui em Cubatão antes de conhecer Brasília (claro). Ambas me encantam pela forma como os espaços naturais e humanos se interpenetram e harmonizam. Sonhei sempre com um modelo de cidade assim, arejado, claro e devidamente sombreado pela vegetação natural, refrigerado pelos imensos gramados e com quintais repletos de árvores frutíferas.
É lamentável como uma coisa tão óbvia pode ser tão impossível!
| Vista da Vila da Light, com a Serra do Mar e as adutoras da Usina Henry Borden ao fundo. |
Um modelo de urbanização humano, na melhor acepção desse termo, é totalmente inviabilizado pela propriedade privada da terra. A especulação que esse tipo de propriedade permite maltrata as cidades e portanto quem nelas vive. Favelas, cortiços, várzeas destruídas, trânsito impossível de consertar. Problemas climáticos (as ilhas de calor urbanas determinam a formação dos temporais que destroem os espaços e propriedades urbanas) também são efeitos que poderiam ser evitados se o planejamento viesse antes da especulação imobiliária.
Ninguém comenta, mas esse é o coração dos males das nossas cidades. E como a população vive cada vez mais nas cidades, é de se esperar que o sofrimento aumente.
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