domingo, 18 de maio de 2014

O mito da engrenagem social

Desde a antiguidade se recorre às parábolas, às analogias e às metáforas para expressar ideias. Até hoje se faz isso, inclusive no meio acadêmico-científico, pois é um recurso linguístico valioso. Porem existem problemas: às vezes as analogias são levadas ao pé da letra e extrapolam os limites para os quais foram criadas.
Assim, por exemplo, há a metáfora da engrenagem social que já alçou a condição de mito, pois como os mitos, se tornou uma explicação meio genérica da origem das coisas.
Graças e essa imagem, hoje em dia as pessoas imaginam que para o Estado e consequentemente a sociedade funcionarem bem, basta "azeitar" corretamente essa engrenagem, fazendo com que cada componente da máquina funcione e cumpra direitinho o seu papel. Será que ninguém se pergunta "como assim, o seu papel?". Afinal, ao contrário de quando em tempos medievais, as pessoas não nascem destinadas a ser isso ou aquilo. E se a burguesia tem um crédito histórico, com certeza esse é um deles! Viva a burguesia e o liberalismo! Ao menos naquele momento da história.
Então, me preocupa muito que as pessoas suponham que cada um tem seu lugar, por extensão um lugar determinado e fixo na sociedade. Essa simplificação grosseira do mundo é perfeita para aquelas mentes que sonham com o mundo perfeitinho do fascismo, onde tudo se encaixa e todos cultuam o grande líder.
Eu não curto nada essa ideia.
E que fique claro, o Estado não é uma máquina, muito menos automática. É preciso tomar conta da política e se capacitar para isso.

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