terça-feira, 13 de novembro de 2012
Então sou um dinossauro comunista?
Para quem pergunta o porque de eu defender algo tão ultrapassado como o socialismo, preciso responder que o socialismo está tão obsoleto quanto a fome, as guerras e a desigualdade. Acredito que o problema que se põe não é se ele funciona ou não funciona como sistema político - na real, será que ele realmente existiu como tal? Há quem duvida e tem bons argumentos que sustentem essa afirmação.
O problema, creio, tem a ver com o modo como organizamos a nossa produção.
Ao defender o socialismo não estou defendendo uma utopia de perfeição inatacável. Defendo muito simplesmente uma economia onde não só o trabalho seja dividido entre os componentes da sociedade, mas também os frutos desse trabalho. E não precisa ser de forma exatamente igual não! Mas é preciso que seja minimamente justa, coisa que não vai ocorrer no reino da liberdade sustentada a dinheiro.
Com relação ao sistema político, é claro que ele tem de ser democrático. Mas é preciso lembrar que "democracia" sustentada a dinheiro só atende a quem é rico. O resto é enrolação e promessas. A democracia minimamente decente se sustenta em uma economia que atenda aos anseios da sociedade como um todo e que funcione sob o controle desse todo, não necessariamente sob a tutela do Estado.
Mudando um pouco a direção do discurso, advirto meus colegas vermelhos que o endeusamento das lideranças tradicionais não nos ajudará a sobreviver como alternativa política. Há uma série de problemas reais no que restou do antigo projeto socialista e eles precisam ser tratados sem sombras de dogmas nem preconceitos.
Acho muito engraçado quando um militante tenta atribuir alguma dignidade à prostituição cubana. É prostituição como toda é! As moças dão para sobreviver! Há que se questionar se elas tem ou não alternativas superiores a esse tipo de trabalho, porque não se pode questionar o direito ao uso de seu próprio corpo para evitar encarar a miséria.
Nós sabemos quais são as causas dessas "distorções", mas também é necessário reconhecer que não se pode moldar as pessoas a um projeto quando ele objetivamente não está se sustentando. Me parece que o governo cubano tem certa consciência disso ao tratar a prostituição com menor rigor que outros "crimes".
Então, fica aqui minha conclusão: se por um lado a direita não tem condições reais de garantir um desenvolvimento sustentável para o conjunto da sociedade, uma esquerda conservadora também não terá! É preciso reconsiderar as antigas estratégias consagradas por Lênin e seus contemporâneos, priorizando a discussão e a prática política democrática, ao invés de propagar revoltas à moda antiga.
domingo, 7 de outubro de 2012
O "discurso oculto" ou: como esconder fatos atrás de fatos.
Um dos horrores da política brasileira, motivo de enorme vergonha para os cidadãos atentos da classe média, é a corrupção. Nós brasileiros já estamos até meio anestesiados com tanta notícia ruim, que vem de tempos imemoriais.
O que não é dito: a corrupção é útil para manter o status quo. Não se trata meramente de uma ação ilícita, mas é uma lei natural da economia de mercado no mundo subdesenvolvido. É uma lei que não pode ser escrita, mas que é fundamental para manter o tipo de poder que se desenvolveu nas periferias do capitalismo.
Então, a conclusão óbvia é: se vencermos a corrupção, vencemos o atraso político e econômico e finalmente nos tornamos uma nação desenvolvida na sua plenitude.
Eu arriscaria dizer que é justamente ao contrário. Num país sem distribuição de renda justa, sem uma economia capaz de prover sustento para todos, jamais se desmontará a corrupção. Uma nação de miseráveis que precisa literalmente vender o jantar para comprar o almoço, não pode reagir a uma elite que sobrevive pela corrupção. Uma nação de miseráveis não tem como reagir.
E hoje, no Brasil, nunca se falou tanto em corrupção. É de se admirar! Mas também é para se preocupar, porque não houve uma transformação essencial na estrutura da economia brasileira, ela continua muito concentrada, muito dependente de exportação, excessivamente dependente de capital estrangeiro. Nada contra esse capital em si, o problema é a dependência financeira, num momento de crise bancária internacional.
Aí está um aspecto interessante: ninguém está realmente focando no núcleo do problema, que é a maneira como a economia brasileira se integra à economia mundial, em quais termos e condições.
O foco do momento é um caso de corrupção governamental que atribui um papel de protagonista a um aspecto secundário da política e da economia brasileiras.
Fica a pergunta: depois que este circo for embora, o que ficará no lugar? Algo mais essencial do que uma simples troca de moscas sobre a administração do Estado? Essa é uma questão muito importante pois ao contrário do que se diz por aí, estar no governo não é o mesmo que estar no poder.
O que não é dito: a corrupção é útil para manter o status quo. Não se trata meramente de uma ação ilícita, mas é uma lei natural da economia de mercado no mundo subdesenvolvido. É uma lei que não pode ser escrita, mas que é fundamental para manter o tipo de poder que se desenvolveu nas periferias do capitalismo.
Então, a conclusão óbvia é: se vencermos a corrupção, vencemos o atraso político e econômico e finalmente nos tornamos uma nação desenvolvida na sua plenitude.
Eu arriscaria dizer que é justamente ao contrário. Num país sem distribuição de renda justa, sem uma economia capaz de prover sustento para todos, jamais se desmontará a corrupção. Uma nação de miseráveis que precisa literalmente vender o jantar para comprar o almoço, não pode reagir a uma elite que sobrevive pela corrupção. Uma nação de miseráveis não tem como reagir.
E hoje, no Brasil, nunca se falou tanto em corrupção. É de se admirar! Mas também é para se preocupar, porque não houve uma transformação essencial na estrutura da economia brasileira, ela continua muito concentrada, muito dependente de exportação, excessivamente dependente de capital estrangeiro. Nada contra esse capital em si, o problema é a dependência financeira, num momento de crise bancária internacional.
Aí está um aspecto interessante: ninguém está realmente focando no núcleo do problema, que é a maneira como a economia brasileira se integra à economia mundial, em quais termos e condições.
O foco do momento é um caso de corrupção governamental que atribui um papel de protagonista a um aspecto secundário da política e da economia brasileiras.
Fica a pergunta: depois que este circo for embora, o que ficará no lugar? Algo mais essencial do que uma simples troca de moscas sobre a administração do Estado? Essa é uma questão muito importante pois ao contrário do que se diz por aí, estar no governo não é o mesmo que estar no poder.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Considerações pretensamente frias sobre o processo eleitoral nessa abandonada cidade litorânea.
Caros,
Faz tempo que não escrevo, devo estar enferrujado. Mas, como várias coisas estão mesmo enferrujando, então sou só mais um oxidado.
E aqui estou apenas para reclamar daquilo que incomoda a todos: de quanto as eleições se tornaram palco, teatrofantasma (desculpe, Ariel) que nos assombra não pelo mal que traz, mas pelo sentimento ruim de estarmos afogados num tedioso mar de mediocridade.
Mediocridade sim, óbvia como certas músicas da moda, das quais muitas estão servindo de martelo "ideológico" nas nossas pobres mentes torturadas. Vemos a repetição de um processo caro, cansativo, e muito, mas muito ineficiente, quando nos recordamos da sua função original, que aparentemente se diluiu diante das prioridades dessa nova classe social, que são os políticos profissionais.
Pois é, ineficiente. Afinal, se o objetivo é nos fazer conhecer as propostas dos candidatos, essas campanhas de rua parecem muito mais preocupadas com a propagação de uma imagem padrão do candidato do que com uma discussão séria dos problemas da cidade. Mas isso é coerente com um sistema de distribuição de poder que, como tudo na economia "moderna", tende à concentração, à fusão e à formação de grandes monopólios.
Na verdade, uma coisa leva necessariamente à outra. Não estamos assistindo a um processo democrático, mas sim à confirmação de uma ordem social sobre a qual nosso controle é mínimo. E assim é que deve ser, para o bem de quem domina a economia, em todas as escalas geográficas e do poder político-econômico.
Por hoje é só, pessoal...
Faz tempo que não escrevo, devo estar enferrujado. Mas, como várias coisas estão mesmo enferrujando, então sou só mais um oxidado.
E aqui estou apenas para reclamar daquilo que incomoda a todos: de quanto as eleições se tornaram palco, teatrofantasma (desculpe, Ariel) que nos assombra não pelo mal que traz, mas pelo sentimento ruim de estarmos afogados num tedioso mar de mediocridade.
Mediocridade sim, óbvia como certas músicas da moda, das quais muitas estão servindo de martelo "ideológico" nas nossas pobres mentes torturadas. Vemos a repetição de um processo caro, cansativo, e muito, mas muito ineficiente, quando nos recordamos da sua função original, que aparentemente se diluiu diante das prioridades dessa nova classe social, que são os políticos profissionais.
Pois é, ineficiente. Afinal, se o objetivo é nos fazer conhecer as propostas dos candidatos, essas campanhas de rua parecem muito mais preocupadas com a propagação de uma imagem padrão do candidato do que com uma discussão séria dos problemas da cidade. Mas isso é coerente com um sistema de distribuição de poder que, como tudo na economia "moderna", tende à concentração, à fusão e à formação de grandes monopólios.
Na verdade, uma coisa leva necessariamente à outra. Não estamos assistindo a um processo democrático, mas sim à confirmação de uma ordem social sobre a qual nosso controle é mínimo. E assim é que deve ser, para o bem de quem domina a economia, em todas as escalas geográficas e do poder político-econômico.
Por hoje é só, pessoal...
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