Sempre tive horror a transformar política em religião, partidos em igrejas. Uma política séria, que promova o progresso material e cultural não pode se basear em discursos messiânicos e salvadores da pátria. Quando a esquerda e a direita promovem política nesses termos, estão basicamente se igualando!
Estamos em tempos de liberdade de opinião e é inaceitável que, sob qualquer pretexto, se argumente a favor de governos autoritários. Os anos 1930, com seu totalitarismo universal, já passaram. Todas as experiências daquela época estão superadas, tanto do lado direito quanto do lados esquerdo. Ninguém mais quer ver Mussolini, Hitler, Hiroito, Stalin, Mao, ou qualquer liderança ultracarismática substituindo a consciência política dos indivíduos. Todo o fanatismo daquela época foi superado e todas as construções políticas daquela época ruiram.
Não vou cometer o erro de colocar formas políticas tão diferentes no mesmo saco, é preciso marcar diferenças fundamentais: enquanto o nazifascismo promove deliberadamente uma política de genocídio e eugenia, o bloco socialista passa décadas promovendo um controle absurdo sobre a opinião pública e se perde em guerras civis duríssimas. Duas construções bem diferentes em termos econômicos com visões antagônicas sobre papel do trabalho e do trabalhador na direção do Estado, acabam se aproximando pela redução da liberdade individual em nome do bem comum. E desse mal felizmente não sofremos mais, nem precisamos voltar a isso.
Infelizmente boa parte das pessoas ditas educadas e instruídas acredita no autoritarismo ao se deparar com um suposto caos e crise moral. Na verdade, não há crise moral, ha preguiça de assumir o papel de cidadão e tomar posse da parcela de poder que temos. O elogio da ditadura que ouvimos nos dias de hoje é um reflexo dessa preguiça. É mais fácil entregar nosso destino nas mãos de algum iluminado líder (preferencialmente militar) do que participar ativamente da condução de nossa sociedade.
Há também um desconhecimento, que gera desrespeito, sobre a condição "do outro". Há visível má vontade de uma sub-elite a qual chamamos de classe média, em relação ao grosso da população brasileira que só recentemente se viu capaz de participar da festa do consumo. Vale lembrar que boa parte da classe trabalhadora sequer conseguia trabalhar e agora pode, através do consumo, estimular uma economia estagnada há décadas e dessa maneira passar a integrar o mundo da produção.
Essa incapacidade de compreender a condição da maior parte do povo brasileiro contribui muito para o surgimento de uma mentalidade reacionária que faz fermentar o antigo ódio de classes. Esse ódio aparece na eugenia nem tão suave do discurso meritocrático e da visão gerencialista sobre o Estado que quer substituir a política (que pode ser desagradável, mas é fundamental) pela administração empresarial do Estado. Isto é uma bobagem imensa, pensem bem! A boa administração é fundamental, mas não é ela quem decide as prioridades e necessidades da nação como um todo. Isto vem das discussões políticas das quais os cidadãos precisam participar em todos os níveis.
A ansiedade de ver a nação e o Estado funcionando corretamente afeta nossa capacidade de raciocinar sobre o que isso significa! O que vem a ser um funcionamento correto do Estado e da sociedade? Essa é uma grande discussão política da qual todos nós precisamos participar e o único ambiente onde isso pode ser feito é o ambiente democrático. Lutar contra a democracia é rigorosamente sabotar a construção da sociedade que realmente atende às necessidades da nação.
A democracia precisa ser defendida com todas as forças e isso significa também que é necessário ampliá-la trazendo novos e maiores direitos para aqueles que jamais tiveram acesso a eles. Impedir isso é sabotar o Brasil, mantendo a velha senzala da pobreza intacta.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
O que fazer com os estádios depois da copa?
Depois da decisão da justiça carioca sobre a não muito bem disfarçada privatização do Maracanã, vêm algumas ideias à minha cabeça.
Uma delas é a seguinte: com tanta desigualdade social, não parece muito inteligente ampliar essa desigualdade entregando recursos públicos para a rica iniciativa privada.
Então, por que não trazer organizações populares para a administração desses espaços, em conjunto com as administrações municipais? Fico imaginando o quanto algumas ONGs lucrariam com isso, instituições que atuam em vários seguimentos, desde meio ambiente até desenvolvimento social, urbano e promoção de saúde. Imaginem a AACD promovendo eventos no Maraca! Imaginem as associações de favelas levantando recursos para a promoção das necessárias reformas urbanas no Rio!!!
Nada de ricaços enchendo ainda mais a barriga de dinheiro. Vamos dar uma chance às necessidades reais do povo brasileiro! Não é uma boa?
Uma delas é a seguinte: com tanta desigualdade social, não parece muito inteligente ampliar essa desigualdade entregando recursos públicos para a rica iniciativa privada.
Então, por que não trazer organizações populares para a administração desses espaços, em conjunto com as administrações municipais? Fico imaginando o quanto algumas ONGs lucrariam com isso, instituições que atuam em vários seguimentos, desde meio ambiente até desenvolvimento social, urbano e promoção de saúde. Imaginem a AACD promovendo eventos no Maraca! Imaginem as associações de favelas levantando recursos para a promoção das necessárias reformas urbanas no Rio!!!
Nada de ricaços enchendo ainda mais a barriga de dinheiro. Vamos dar uma chance às necessidades reais do povo brasileiro! Não é uma boa?
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