domingo, 7 de outubro de 2012

O "discurso oculto" ou: como esconder fatos atrás de fatos.

Um dos horrores da política brasileira, motivo de enorme vergonha para os cidadãos atentos da classe média, é a corrupção. Nós brasileiros já estamos até meio anestesiados com tanta notícia ruim, que vem de tempos imemoriais.

O que não é dito: a corrupção é útil para manter o status quo. Não se trata meramente de uma ação ilícita, mas é uma lei natural da economia de mercado no mundo subdesenvolvido. É uma lei que não pode ser escrita, mas que é fundamental para manter o tipo de poder que se desenvolveu nas periferias do capitalismo.

Então, a conclusão óbvia é: se vencermos a corrupção, vencemos o atraso político e econômico e finalmente nos tornamos uma nação desenvolvida na sua plenitude.

Eu arriscaria dizer que é justamente ao contrário. Num país sem distribuição de renda justa, sem uma economia capaz de prover sustento para todos, jamais se desmontará a corrupção. Uma nação de miseráveis que precisa literalmente vender o jantar para comprar o almoço, não pode reagir a uma elite que sobrevive pela corrupção. Uma nação de miseráveis não tem como reagir.

E hoje, no Brasil, nunca se falou tanto em corrupção. É de se admirar! Mas também é para se preocupar, porque não houve uma transformação essencial na estrutura da economia brasileira, ela continua muito concentrada, muito dependente de exportação, excessivamente dependente de capital estrangeiro. Nada contra esse capital em si, o problema é a dependência financeira, num momento de crise bancária internacional.

Aí está um aspecto interessante: ninguém está realmente focando no núcleo do problema, que é a maneira como a economia brasileira se integra à economia mundial, em quais termos e condições.

O foco do momento é um caso de corrupção governamental que atribui um papel de protagonista a um aspecto secundário da política e da economia brasileiras.

Fica a pergunta: depois que este circo for embora, o que ficará no lugar? Algo mais essencial do que uma simples troca de moscas sobre a administração do Estado? Essa é uma questão muito importante pois ao contrário do que se diz por aí, estar no governo não é o mesmo que estar no poder.