Um dos horrores da política brasileira, motivo de enorme vergonha para os cidadãos atentos da classe média, é a corrupção. Nós brasileiros já estamos até meio anestesiados com tanta notícia ruim, que vem de tempos imemoriais.
O que não é dito: a corrupção é útil para manter o status quo. Não se trata meramente de uma ação ilícita, mas é uma lei natural da economia de mercado no mundo subdesenvolvido. É uma lei que não pode ser escrita, mas que é fundamental para manter o tipo de poder que se desenvolveu nas periferias do capitalismo.
Então, a conclusão óbvia é: se vencermos a corrupção, vencemos o atraso político e econômico e finalmente nos tornamos uma nação desenvolvida na sua plenitude.
Eu arriscaria dizer que é justamente ao contrário. Num país sem distribuição de renda justa, sem uma economia capaz de prover sustento para todos, jamais se desmontará a corrupção. Uma nação de miseráveis que precisa literalmente vender o jantar para comprar o almoço, não pode reagir a uma elite que sobrevive pela corrupção. Uma nação de miseráveis não tem como reagir.
E hoje, no Brasil, nunca se falou tanto em corrupção. É de se admirar! Mas também é para se preocupar, porque não houve uma transformação essencial na estrutura da economia brasileira, ela continua muito concentrada, muito dependente de exportação, excessivamente dependente de capital estrangeiro. Nada contra esse capital em si, o problema é a dependência financeira, num momento de crise bancária internacional.
Aí está um aspecto interessante: ninguém está realmente focando no núcleo do problema, que é a maneira como a economia brasileira se integra à economia mundial, em quais termos e condições.
O foco do momento é um caso de corrupção governamental que atribui um papel de protagonista a um aspecto secundário da política e da economia brasileiras.
Fica a pergunta: depois que este circo for embora, o que ficará no lugar? Algo mais essencial do que uma simples troca de moscas sobre a administração do Estado? Essa é uma questão muito importante pois ao contrário do que se diz por aí, estar no governo não é o mesmo que estar no poder.
O que substituirá o circo que está aí formado? Ou qual? Temos circos todos os anos. Circos de pulgas gigantescas. Que sugam o sangue de modo explosivo. Em jatos descomunais. Agem de modo tal que os verdadeiros circos restam desempregados. A desfaçatez é que alguns começam honestamente. Mas é só provarem da farinha do poder, ficam viciados nos estratagemas de compra e venda de apoio, que implica na compra e venda de almas, que, por vezes, não possuem. A gente é que julgava que tinham.
ResponderExcluirMeu caro André, tenho pensado muito pouco sobre esta situação, mas tenho feito um exercício constante para mudar meu ponto de vista em relação à questão brasileira. Resumindo MUITO o blábláblá, cheguei a conclusão (há tempos...) que não é necessário uma mudança econômica para mudar o Brasil. Na verdade, não acredito que seja possível realizar uma mudança nacional em qualquer um dos países do mundo - não no cenário nitidamente globalizado como hoje podemos observar. Para mudar o Brasil, é necessária uma mudança CULTURAL e esta mudança já está em curso. Por ser profunda como nunca antes observada, ela vem abalando todas as nações e poderá ser classificada como uma revolução tamanhas são as mudanças (para o bem) que vêm por aí. É uma mudança sutil que não vai parecer tão violenta e nem será necessária uma transformação na ordem mundial.
ResponderExcluirSei que não serei claro e vai parecer até papo de "maluco-beleza", mas trata-se de uma mudança HUMANA. Uma espécie de evolução que já está começando na maneira que nos comportamos, lidamos com nossos sentimentos e com o cuidado que temos com nossos pensamentos. Cada vez mais as pessoas têm assumido a responsabilidade sobre seus atos e forma de encarar o mundo.
O mundo inteiro vai mudar em um ritmo mais lento do que desejamos, porém, mais rápido do que esperávamos.
Pensar sobre o que vai ficar no lugar é não é inútil. É simplesmente desnecessário. Se fizermos nosso "dever de casa" hoje, tudo ficará bem. Falando nisto: hoje nós votamos conscientes ou condescendentes?